terça-feira, 4 de setembro de 2012

Esquecendo o Melanoma

Esquecendo o Melanoma
Oi para todos, dei um tempo, para ver como a vida é sem a gente se lembrar que existe Melanoma. Me afastei de tudo que lembra essa doença, e olha, ADOREI!

Estou ótima, não tenho mais dores e não me sinto doente. Faz um mês fiz uma cirurgia tirei a vesícula, estava cheia de pedras. Mas tirei essa operação de letra, também depois de tudo que passei.

Tenho medo, claro, as vezes tenho pesadelos, pois tenho um fantasma rondando minha cabeça, tento esquecer, relaxar...não é fácil mais eu preciso. Eu lutei pra isso, pra VIVER e não vou fazer pela metade, quero aproveitar cada minuto, essa é a diferença de quem já passou por um tratamento de Câncer, a vida fica mais simples, dedicada, as coisas tem os devidos valores.

Quero agradecer a todos os e-mails que recebi e tb quero dizer que se alguém precisar conversar estou a disposição.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Existe vida depois do Interferon!

Depois de quase dois meses sem o interferon, eu voltei aqui pra dizer pra vocês, que a vida aos poucos volta ao normal. As pessoas me diziam que quando a gente começava o tratamento era terrível mas depois de uma tempo o corpo se acostumava, eu nunca admiti isso!

Pra mim, o tratamento foi terrível no começo, no meio e no fim. Mas agora, depois de quase dois meses sem as aplicações eu entendi o que elas queriam dizer. Quando estava em tratamento me sentia péssima, tinha dores quase todos os dias, a pele seca, as unhas fracas, o cabelo caindo, etc e tal, eu não me lembrava mais como era estar boa, como era estar sem os efeitos do interferon, então eu levava aquela vida de dores e mal estar como se fosse normal, tentava todos os dias fazer as tarefas diárias como qualquer pessoa.

NA VERDADE O CORPO NÃO SE ACOSTUMA AO INTERFERON, É A GENTE QUE SE ACOSTUMA COM AS DORES E OS MAUS ESTARES! a gente não deixa de se sentir mal, só aprendemos a conviver com os efeitos colaterais.

Na segunda semana sem o interferon eu já me senti diferente, tinha energia, tinha força....não me sentia fadigada, nem cansada. Como foi bom sentir isso! eu não fazia idéia de como o interferon atrapalhava a minha vida. Era muito mais que as reações...hoje eu me sinto viva!

Já sinto o gosto da comida, até já engordei uns dois quilinhos rsrs. Durmo a noite toda, eu não dormia, passava mal quase todas as noites, acordava cansada, hoje sei como é bom dormir!

Muita coisa mudou na minha vida, na verdade EU mudei, hoje não me aborreço por qualquer coisa e dou valor para todos os momentos da minha vida, pois sei como é não dormir bem, não comer bem, não conseguir fazer as tarefas diárias, não viver bem...hoje eu sei tudo isso!

Para aqueles que estão começando o tratamento, eu sei que minhas palavras podem ser difíceis, mas eu não consigo mentir, não consigo dizer que vai ser fácil....espero que esse post dê esperança,  que entendam que a doença vai embora e a gente se levanta e volta a viver!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Último dia de Interferon

Chegou, nem acredito, mais um ano se passou e o fim do interferon chegou.

Sofri muito nesse um ano, foram dores, mal estar, queda de cabelo, desânimo, etc e tal. Mas também aprendi muito, meu medo de agulhas passou, já não dispara o coração quando falam perto de mim a palavra injeção. Aprendi que as pessoas não sabem como se comportar com uma pessoa em tratamento, que simplesmente, não existe semancol rsrsrs, mas deixa pra lá, eu não quero ensinar ninguém.

Estou escrevendo esse post, na cama, com dois cobertores, com pijama flanelado e muitas dores pelo corpo, tomei a última injeção às 18:00 as reações chegaram + ou - às 21:00, mas eu não fiquei triste não, eu lembrei que era a última vez que iria passar por isso, corri pro computador pra contar pra vocês.

Fim de mês tem médico, vou fazer exames e levar lá pra eles, vamos ver qual será o próximo passo, mas eu acho que será só monitorar com exames a cada 4 mesês, volta aqui pra contar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Contagem regressiva - Fim do Tratamento do Câncer Melanoma


Estou contando os dias... graças a Deus está acabando as vacinas de interferon. Eu podia dizer que passou rápido, voando....mas não, isso seria uma tremenda mentira, senti cada picada, vivi cada mal estar, e sofri todas os efeitos colaterais.

No começo do tratamento, ouvi (principalmente de médicos) que com o tempo o corpo se acostumava, que as reações diminuíam. MENTIRA! faltam menos de dois meses e até hoje sofro.

O que acontece é que o ser humano tem um enorme poder de adaptação (quando se fala da adaptação de um ser vivo, menciona-se o fato de este se acomodar às condições do seu novo estado). E foi isso o que aconteceu comigo, eu mudei. Precisei fazer isso pra "levar uma vida normal", pra seguir em frente.

Pra aqueles que estão começando um tratamento, sinto informar que vai ser difícil, que infelizmente o corpo não se acostuma...mas te garanto ...você vai se adaptar, vai seguir a vida e no fim do tratamento estará feliz por que foi GUERREIRO(a).

Pra aqueles que estão torcendo por mim, saibam que dia 30/03 tenho consulta com o oncologista, onde pegarei as últimas (12) vacinas. Tenho tantos planos ....um deles é um belo tratamento Capilar rsrsrsrsrs.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Linfadenectomia - Melanoma



Tá bom não é o meu aniversário.. nem de ninguém, mas pra mim é uma data que merece comemoração.

Se comemoramos datas de felicidade, porque não podemos comemorar datas nem tão feliz assim, hoje faz um ano que fiz a cirurgia de linfadenectomia, remoção de todas as glândulas linfáticas da axila do braço esquerdo.

Sabe porque eu comemoro?
Porque foi Punk, comemoro por ter passado, ter superado e por que estou super bem. Ahhh vai me falar que essas não são boas razões pra lembrar desse dia.

Lembro que naquele dia. Meu marido, eu e minhã irmã fomos cedinho pra Jaú, chegando fomos dar entrada na papelada da internação, e surpresa a pessoa aqui estava tão nervosa que simplesmente esqueceu tudo em casa: exames, guias de internação, etc e tal. 
Muita coisa na cabeça...

Ligamos pro meu irmão e ele levou tudo pra gente, levou até uma multa de velocidade afff que dia aquele! Vamos abafar o caso da multa, ok pessoal.
Continuando meu dia, internei às 10:30 (operação prevista pra 12:30) as 11:00 o estomago começou roncar estava de jejum, mas acho que mesmo se pudesse comer não conseguiria. Ao meio-dia a enfermeira trouxe uma injeção de sedativo. Que sono! dormi e quando acordei abri um olho, olhei em volta e .....ainda estava no quarto! a cirurgia atrasou.

Era 14:00 quando a maca veio me buscar. Eu estava super acordada rsrsrsrs. Apesar do meu nervosismo tudo ocorreu bem, acordei às 17:00 na sala de recuperação, e bem diferente da primeira cirurgia acordei bem mais tranquila.

A noite foi difícil, estava com o dreno, saia muita secreção, sangue, a enfermeira trocou os lençóis várias vezes e minha irmã foi um verdadeiro anjo. E depois a recuperação em casa foi outra novela.
Quero dizer que foi difícil, que nunca vou esquecer de tudo que passei, a dor, a vontade de cuidar de meus filhos e não poder, não conseguir tomar banho, pentear o cabelo, me trocar, enfim essas coisas que fazem a gente se sentir péssimo.

Mas também quero dizer que passou, sobrevive...e se você conhece alguém que precisa passar por algo assim, diga a essa pessoa, que ela só precisa respirar fundo, lembrar que, obstáculos existem pra gente superar e dar valor a cada segundo do dia e que saúde é bem mais que um estado físico, é uma graça que Deus dá.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

1º de Janeiro - Um dia como outro qualquer

Apesar dos fogos, dos churrascos ... nada mudou. O ano virou e eu me sinto a mesma, sinto que minha vida está igual, é quer saber ...que bom! Porque a vida não é um ano e muito menos um dia. O pema a seguir diz exatamente isso.

Poema de Martha Medeiros: Vida, é o meio que existe entre o nascimento e a morte

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.
Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.
No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.
Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.
No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.
Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.
No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).
Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.
No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.
Martha Medeiros.