quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Linfadenectomia - Melanoma



Tá bom não é o meu aniversário.. nem de ninguém, mas pra mim é uma data que merece comemoração.

Se comemoramos datas de felicidade, porque não podemos comemorar datas nem tão feliz assim, hoje faz um ano que fiz a cirurgia de linfadenectomia, remoção de todas as glândulas linfáticas da axila do braço esquerdo.

Sabe porque eu comemoro?
Porque foi Punk, comemoro por ter passado, ter superado e por que estou super bem. Ahhh vai me falar que essas não são boas razões pra lembrar desse dia.

Lembro que naquele dia. Meu marido, eu e minhã irmã fomos cedinho pra Jaú, chegando fomos dar entrada na papelada da internação, e surpresa a pessoa aqui estava tão nervosa que simplesmente esqueceu tudo em casa: exames, guias de internação, etc e tal. 
Muita coisa na cabeça...

Ligamos pro meu irmão e ele levou tudo pra gente, levou até uma multa de velocidade afff que dia aquele! Vamos abafar o caso da multa, ok pessoal.
Continuando meu dia, internei às 10:30 (operação prevista pra 12:30) as 11:00 o estomago começou roncar estava de jejum, mas acho que mesmo se pudesse comer não conseguiria. Ao meio-dia a enfermeira trouxe uma injeção de sedativo. Que sono! dormi e quando acordei abri um olho, olhei em volta e .....ainda estava no quarto! a cirurgia atrasou.

Era 14:00 quando a maca veio me buscar. Eu estava super acordada rsrsrsrs. Apesar do meu nervosismo tudo ocorreu bem, acordei às 17:00 na sala de recuperação, e bem diferente da primeira cirurgia acordei bem mais tranquila.

A noite foi difícil, estava com o dreno, saia muita secreção, sangue, a enfermeira trocou os lençóis várias vezes e minha irmã foi um verdadeiro anjo. E depois a recuperação em casa foi outra novela.
Quero dizer que foi difícil, que nunca vou esquecer de tudo que passei, a dor, a vontade de cuidar de meus filhos e não poder, não conseguir tomar banho, pentear o cabelo, me trocar, enfim essas coisas que fazem a gente se sentir péssimo.

Mas também quero dizer que passou, sobrevive...e se você conhece alguém que precisa passar por algo assim, diga a essa pessoa, que ela só precisa respirar fundo, lembrar que, obstáculos existem pra gente superar e dar valor a cada segundo do dia e que saúde é bem mais que um estado físico, é uma graça que Deus dá.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

1º de Janeiro - Um dia como outro qualquer

Apesar dos fogos, dos churrascos ... nada mudou. O ano virou e eu me sinto a mesma, sinto que minha vida está igual, é quer saber ...que bom! Porque a vida não é um ano e muito menos um dia. O pema a seguir diz exatamente isso.

Poema de Martha Medeiros: Vida, é o meio que existe entre o nascimento e a morte

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.
Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.
No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.
Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.
No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.
Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.
No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).
Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.
No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.
Martha Medeiros.